O fluoreto é adicionado à água de abastecimento público como medida preventiva contra a cárie dentária, conforme recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, a Portaria GM/MS nº 888/2021 estabelece o valor máximo permitido (VMP) de 1,5 mg/L de fluoreto em água potável, enquanto a faixa ótima de fluoretação varia entre 0,6 e 0,8 mg/L, dependendo da temperatura média da região.
O eletrodo de íon seletivo (ISE) de fluoreto é o método mais prático e econômico para essa determinação, sendo amplamente utilizado em laboratórios de vigilância sanitária e concessionárias de água. O ISE de fluoreto utiliza um cristal de fluoreto de lantânio (LaF₃) dopado com európio como membrana sensora. Quando imerso na amostra, desenvolve-se um potencial elétrico proporcional ao logaritmo da atividade do íon F⁻, seguindo a equação de Nernst.
O preparo da amostra é simples: adiciona-se um volume igual de solução tampão de ajuste de força iônica total (TISAB) à amostra. O TISAB tem três funções: equalizar a força iônica entre amostras e padrões, tamponar o pH entre 5 e 6 (faixa ótima de resposta do ISE) e complexar íons como Al³⁺ e Fe³⁺ que poderiam formar complexos com o fluoreto e causar interferência negativa.
A calibração é realizada com pelo menos três padrões de fluoreto (por exemplo, 0,1 — 1,0 — 10 mg/L), preparados a partir de fluoreto de sódio (NaF) grau analítico. A curva analítica deve apresentar um slope próximo de −59,2 mV/década a 25 °C (valor nernstiano para íons monovalentes). Slopes entre −54 e −60 mV/década são considerados aceitáveis para uso rotineiro.
É importante destacar que a medição com ISE fornece a concentração de fluoreto livre, que é a forma biologicamente ativa. Em amostras com pH abaixo de 5, parte do fluoreto pode estar na forma de HF (ácido fluorídrico), que não é detectado pelo eletrodo. O uso de TISAB corrige esse efeito. A Hydrocore oferece kits completos para determinação de fluoreto, incluindo eletrodo ISE, solução TISAB e padrões certificados.