Guia Técnico

Condutividade Elétrica: Teoria e Aplicações Práticas

Eng. Patrícia Alves8 de janeiro de 202616 min de leitura

A condutividade elétrica (ou condutância específica) de uma solução é a medida de sua capacidade de conduzir corrente elétrica. Em soluções eletrolíticas, a corrente é transportada por íons — cátions migrando em direção ao cátodo e ânions em direção ao ânodo. A condutividade depende da concentração iônica, da mobilidade dos íons (que por sua vez depende de carga, raio hidratado e viscosidade do meio) e da temperatura.

A unidade SI de condutividade é o Siemens por metro (S/m), mas na prática laboratorial utiliza-se mais frequentemente o milisiemens por centímetro (mS/cm) ou o microsiemens por centímetro (µS/cm). Água ultrapura a 25 °C tem condutividade de 0,055 µS/cm (ou resistividade de 18,2 MΩ·cm), enquanto água do mar apresenta cerca de 50 mS/cm. A medição é feita aplicando-se uma tensão alternada (para evitar eletrólise) entre dois eletrodos de uma célula de condutividade e medindo a corrente resultante.

A constante de célula (K), expressa em cm⁻¹, é a razão entre a distância dos eletrodos (d) e a área efetiva (A): K = d/A. Células com K = 0,01 cm⁻¹ são usadas para águas puras (< 10 µS/cm), K = 0,1 cm⁻¹ para águas potáveis e processos (10-1000 µS/cm), K = 1,0 cm⁻¹ para soluções salinas (1-200 mS/cm) e K = 10 cm⁻¹ para soluções concentradas como salmouras e ácidos. Usar uma célula com constante inadequada gera erros significativos de polarização ou resolução.

A temperatura exerce grande influência na condutividade: tipicamente, um aumento de 1 °C resulta em aumento de 1,5% a 2,5% na condutividade, dependendo do eletrólito. Para permitir comparações, os medidores aplicam compensação de temperatura, reportando o resultado a 25 °C (ou 20 °C em alguns padrões europeus). O coeficiente de temperatura pode ser linear (adequado para variações pequenas) ou não linear (conforme tabelas específicas para NaCl, KCl ou água natural). A norma USP <645> para água farmacêutica não utiliza compensação de temperatura, comparando diretamente com tabelas indexadas por temperatura.

Na indústria de alimentos e bebidas, a condutividade é utilizada para determinar a concentração de soluções de limpeza CIP (soda cáustica, ácido nítrico), monitorar a concentração de sal em salmouras, verificar a diluição de sucos e leite, e detectar adulterações. Em usinas de açúcar, a condutividade das cinzas (método cinzas condutimétricas) é o parâmetro padrão para avaliar a pureza do açúcar, conforme método ICUMSA GS2/3-17.

No monitoramento ambiental, a condutividade é um indicador rápido da salinidade e da carga iônica total de rios, lagos e aquíferos. Valores anormalmente altos podem indicar contaminação por efluentes industriais ou chorume. A Resolução CONAMA 357/2005 não estabelece limite direto de condutividade, mas a correlação com sólidos dissolvidos totais (SDT ≈ 0,5 a 0,7 × condutividade em µS/cm) permite inferir a qualidade da água.

Em laboratórios de pesquisa, medições de condutividade são usadas para determinar constantes de dissociação de eletrólitos fracos (método de Kohlrausch), estudar cinética de reações iônicas, caracterizar membranas de troca iônica e avaliar eletrólitos para baterias e células a combustível.

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